Internacional

América Latina muda e atrai maiores petroleiras mundiais

Dow Jones Newswires, 22/05/2018
22/05/2018 09:25
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As maiores petroleiras do mundo estão fazendo enormes apostas na América Latina, região rica em petróleo que muitas companhias evitaram, no passado, devido a políticas econômicas restritivas e ameaça de nacionalismo no setor.

Exxon Mobil, Shell e outras empresas participaram de leilões de áreas petrolíferas marinhas no México e no Brasil, de reservas de petróleo de xisto na Argentina e de grandes descobertas na Guiana.

A onda de interesse acontece depois que vários países, inclusive as duas maiores economias da região, Brasil e México, liberalizaram seus mercados, numa tentativa de compensar a queda na produção de petróleo ou dificuldades na área fiscal. As mudanças atraíram a maioria das principais companhias petrolíferas ocidentais.

Para se blindarem dos riscos políticos, Exxon, Chevron e outras empresas firmaram parcerias com estatais

As empresas têm poucas alternativas. A América Latina tornou-se uma das poucas áreas do mundo, fora dos EUA, onde podem encontrar oportunidades lucrativas de abertura de poços. Muitos países com reservas significativas de petróleo e gás, como a Arábia Saudita e o Iraque, geralmente reservam suas melhores oportunidades para suas próprias petrolíferas, ao passo que sanções dos EUA colocam a Rússia e o Irã fora de jogo.

"Toda a grande expansão de reservas disponíveis no mundo está nas Américas", diz Amy Myers Jaffe, especialista em energia no Conselho de Relações Exteriores, em Washington. "O centro do universo petrolífero está indo para lá."

O timing desses primeiros investimentos na recém-aberta América Latina é fundamental, pois estão surgindo preocupações com uma escassez de oferta. O Brent passou dos US$ 80 o barril, neste mês, pela primeira vez em quatro anos, e a demanda mundial diária da commodity deverá, neste ano, ultrapassar os 100 milhões de barris pela primeira vez, segundo a Administração de Informações sobre Energia, dos EUA.

Mas nem tudo é animador na região. Para muitas empresas, a Venezuela é um caso que recomenda cautela. Sob o governo do ex-presidente Hugo Chávez, há uma década o país expropriou ativos da Exxon e da ConocoPhillips. Apesar de deter as maiores reservas de petróleo do mundo, a produção caiu quase 40% nos últimos cinco anos devido a corrupção, crise de endividamento e subinvestimento.

Alguns observadores veem riscos políticos semelhante em formação no México, agora que o país aproxima-se de uma eleição presidencial, em julho. O esquerdista nacionalista Andres Manuel Lopez Obrador lidera as pesquisas por ampla margem e é contrário à emenda constitucional de 2013 que abriu o setor energético mexicano para investidores estrangeiros e privado. O México firmou 110 contratos com empresas de 20 países, nos últimos três anos, tendo captado mais de US$ 2 bilhões em receitas, pagamentos de bônus e em investimentos no regime de joint venture com a estatal Petróleos Mexicanos (Pemex).

López Obrador disse que se vencer a eleição não reverterá as novas regras, mas congelará novos leilões de prospecção e produção até que os benefícios dos contratos existentes possam ser reavaliados.

As petrolíferas mundiais deverão investir dezenas de bilhões de dólares na América Latina nos próximos anos, e essas ações fazem parte significativa de seus planos de crescimento. Executivos da Exxon disseram que as perspectivas no Brasil e na Guiana estão entre os melhores ativos da empresa. Para se blindarem dos riscos políticos, a Exxon, a Chevron e outras empresas firmaram parcerias com estatais, dizem executivos. A Exxon e a Shell firmaram joint ventures com a Petrobras para poder participar de vários projetos submarinos. A australiana BHP Billiton tornou-se, em 2016, a primeira estrangeira a firmar parceria com a Pemex, associando-se para explorar no Golfo do México.

"Em 2025, [o mundo] demandará suprimento adicional de 25 a 28 milhões de barris/dia", disse Steve Pastor, presidente das operações petrolíferas da BHP. "A pergunta é: onde vamos encontrar essa oferta? Nesse cenário México e Brasil passam a ser relevantes."

A Shell tem sido agressiva na América Latina, conquistando concessões para exploração na costa do México e três numa área muito cobiçada no Brasil. "Lugares como México e Brasil criaram regime fiscal justo e aberto, em que é possível participar de concorrências sob determinados termos", diz Wael Sawan, vice-presidente executivo da Shell para exploração em águas profundas. "É um equilíbrio de força institucional que dá confiança para investir." Apesar disso, ele reconhece os riscos. "Há, sem dúvida, risco político-econômico. Os dois países realizarão eleições em breve", acrescenta ele. "Vamos observar atentamente, porque isso influencia quanto decidiremos investir no futuro. Mas as eleições, por si só, não são o que fará as coisas penderem para um ou outro lado."

"A América Latina sempre teve excelentes oportunidades de prospecção e produção, mas às vezes é questão de saber o que está prevalecendo: protecionismo ou políticas de mercado", diz Tim Samples, professor da Universidade da Geórgia especialista em legislação para o setor.

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