Combustíveis

Alta dos preços gera inflação acima das previsões

Valor Econômico
20/10/2005 00:00
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A forte alta dos combustíveis e seus derivados e o esgotamento do efeito benéfico do dólar sobre a inflação fizeram com que o Índice Geral de Preços (IGP-10) de outubro subisse 0,48%, elevação superior a um ponto percentual sobre o resultado de setembro e bem acima das expectativas dos analistas.

O aumento nos preços da gasolina e do diesel já era esperado pelo mercado. O que surpreendeu foi a magnitude do reajuste de produtos como querosene, álcool e óleos combustíveis. Esses itens são reajustados quinzenalmente pela Petrobras, de acordo com o movimento dos preços no mercado internacional. A desvalorização do dólar ante o real estava ajudando a amenizar esses reajustes.

No entanto, na avaliação de Fernando Fenolio, da Rosenberg & Associados, que esperava o IGP-10 em 0,15%, "a queda do dólar já não consegue mais amenizar a alta de alguns produtos, como fez nos últimos meses". No caso do álcool houve ainda o agravante do período de entressafra, que fez com que os preços subissem 8,7%, após recuarem 0,09% no mês anterior.

Os preços das matérias plásticas, por exemplo, subiram 2,7% na medição do IGP-10 de outubro. No mês anterior, esses produtos apresentaram variação negativa na casa de 0,4%. Em julho e agosto, as quedas foram de 7,13% e 4,36%. São itens que têm o petróleo como matéria-prima e sofreram com a escalada dos preços do insumo no mercado internacional. Outro item que sofreu aumento de preços no atacado foi a madeira: 2,51%. Para o professor da PUC-RJ, Luís Roberto Cunha, esse movimento pode ser reflexo de uma demanda maior pelo produto por parte dos Estados Unidos, que agora reconstróem as áreas devastadas pelos furacões Rita e Katrina.

Para Cunha, o efeito mais positivo da apreciação do câmbio já se esgotou e só voltará com mais intensidade se houver novas quedas da cotação da moeda americana. Mas o professor ressalta que os maiores responsáveis pela alta acima do esperado nos preços ao atacado foram mesmo os combustíveis e demais produtos da cadeia. Para a segunda prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), que será divulgada hoje, o economista alterou sua previsão, que era de 0,33%, para algo entre 0,45% e 0,5%.

A revisão foi feita após o resultado do IGP-10. Ele esperava uma variação bem acima das expectativas dos demais analistas - 0,4% - mas foi surpreendido. A projeção para a variação acumulada do IGP-M em 2005 deve mudar dos atuais 1,45% para 1,6%.

Só o avanço da cadeia dos combustíveis (8,9% no óleo diesel, 14,25% no querosene, 7,73% na gasolina) contribuiu com 1,06 ponto percentual no resultado do Índice de Preços ao Atacado, que tem peso de 60% no IGP. No índice como um todo, o impacto foi de 0,52 ponto percentual, o que significa que, se não fosse a alta desses produtos, o IGP-10 teria apresentado mais uma deflação, dessa vez de 0,04%. Por outro lado, pelos cálculos do Bradesco, se os combustíveis fossem retirados do IPA, a variação teria ficado em apenas 0,05%.

Se fossem excluídos tanto combustíveis como alimentos industrializados - os produtos mais voláteis do atacado - o IPA também ficaria no terreno positivo: 0,06%, pelos cálculos da Rosenberg & Associados. Foi a primeira vez que essa forma de cálculo não apresentou deflação desde o IGP-10 de maio deste ano, quando ficou positivo em 0,75%, levando em conta também resultados do IGP-M e IGP-DI. "A queda de preços está perdendo força e a inflação volta a um patamar positivo. O dólar estável mesmo em nível baixo não leva os preços nem para cima, nem os derruba", diz Fenolio.

No terreno dos produtos agrícolas o movimento também é de elevação dos preços, mas não com taxas positivas e sim deflações mais contidas. O IPA agrícola, por exemplo, ficou negativo em 2% em outubro, após ceder 3% em setembro. "Não é um movimento preocupante, mas apenas a volta do choque de oferta positivo dos últimos meses", explica Cunha, da PUC-RJ.

Cereais e grãos, que ficaram 6,88% mais baratos em setembro, apresentaram agora queda menor, de 4,32%. O mesmo ocorreu com os animais e derivados, cujos preços recuaram 1,89% neste mês, ante um tombo de 3,61% em setembro. Para novembro, o economista estima que o efeito dos combustíveis já tenha se esgotado e projeta um IGP-M na casa de 0,4%.

Outro índice divulgado ontem, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), do município de São Paulo, calculado pela Fipe, registrou na segunda quadrissemana de outubro inflação de 0,64%. Na prévia anterior a taxa foi de 0,59%.

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