Economia
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O estouro na cotação do barril de petróleo transformou pequenos municípios brasileiros em enormes exportadores. Sem grandes fábricas de manufaturados e conhecida pelos seus dotes turísticos, a cidade de Angra dos Reis é um dos municípios que ganharam notoriedade com a volatilidade da commodity.
Em fevereiro, Angra se tornou o principal município exportador brasileiro, sendo responsável por US$ 529,6 milhões, à frente de grandes cidades como São Paulo. No ranking nacional, Angra já ocupa a quarta colocação no bimestre, com embarques de US$ 614,8 milhões. Em janeiro, a cidade era apenas a 35ª maior exportadora.
Conforme o secretário interino da Fazenda de Angra dos Reis, Jorge Irineu, "o resultado expressivo das exportações da cidade está relacionado ao escoamento de petróleo pelo porto local. Com menos importância, colabora ainda as exportações relacionadas à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Estas vendas externas, no entanto, não incrementam, diretamente, a renda do município. O benefício consiste nos muitos empregos gerados pela atividade do porto que, conseqüentemente, decorre em aumento da renda na cidade".
No acumulado até fevereiro, o Estado do Rio de Janeiro exportou US$ 1,163 bilhão, alta de 18,49% frente ao mesmo período do ano passado, e importou US$ 1,089 bilhão, variação de 66,15%, o que gerou um saldo positivo de US$ 74 milhões. Ao mesmo tempo em que o Estado do Rio de Janeiro é beneficiado com o preço do petróleo, ele também sofre com as importações dos produtos derivados da commodity.
Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que o resultado da balança comercial nestes dois primeiros meses revela um acentuado aumento das importações, principalmente de petróleo e derivados, "mas nada que torne o Rio de Janeiro deficitário em sua balança e o faça cair no ranking dos principais estados exportadores. O aumento da demanda interna do país obriga, neste momento, ao crescimento das importações destes produtos, importantes para a sustentabilidade energética brasileira", explicou professor de economia da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Caldas.
Dados do Departamento de Comércio Exterior, indicam que os números da Balança Comercial do Estado do Rio de Janeiro, referentes a fevereiro de 2008, apresentam um volume de exportações de US$ 963,06 milhões. Este valor é 17,20% superior ao mesmo período de 2007 e mantém o Rio de Janeiro no quarto lugar no ranking dos estados exportadores, sendo superado apenas por São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O acumulado nas exportações no período chega a US$ 2,12 bilhões.
Por outro lado, o acumulado nas importações nos dois primeiros meses do ano chega a US$ 1,89 bilhão, gerando um superávit de US$ 227 milhões no acumulado. Os óleos brutos de petróleo continuam liderando o ranking dos produtos mais importados pelo estado, seguidos de automóveis, turborreatores e urânio.
O diretor do Departamento de planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Fábio Faria, confirma que o petróleo tem impulsionado pequenos municípios do interior do Estado do Rio de Janeiro a despontar na lista das principais cidades exportadoras. No entanto, ele alega que a concentração de grande parte das exportações em poucos municípios está de diluindo.
"Temos um trabalho para pulverizar o esforço exportador em todo o País. Acabar com a concentração. O Brasil ainda tem muito poucas empresas exportando, mas com o programa Estado Exportador procuramos criar a cultura exportadora nos empresários de todo o País", contou.
De acordo com Faria, há dez anos, havia cerca de 13 mil empresas exportadoras no País. Até o final do ano passado, este número subiu para cerca de 21 mil empresas.
O estouro na cotação do barril de petróleo transformou Angra dos Reis no principal município exportador brasileiro em fevereiro, sendo responsável por US$ 529,6 milhões, à frente de cidades como São Paulo.
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