Equidade de gênero

Além do esporte: organização Mempodera transforma vida de meninas no âmbito social

Um projeto muda vidas. Pessoas alegram vidas. Um propósito transforma vidas. É isso que a Mempodera e a equipe fazem na vida de centenas de meninas. A organização possui atuação em Cubatão (SP) e em São Luís (MA) e oferece aulas de Wrestling e inglês para meninas e meninos, buscando promover a igualdade de gênero por meio do esporte e da educação. Grande parte das jovens atendidas pela iniciativa vivem em situação de vulnerabilidade social.


09/11/2023 06:18
Além do esporte: organização Mempodera transforma vida de meninas no âmbito social Visualizações: 2057

Para mudar essa realidade, a equipe trabalha arduamente e busca levar informação, educação, esporte e dignidade para essas meninas e suas famílias. Muitas histórias surgem em meio às atividades e conversas informais com as atendidas. Em uma dessas, foi possível conhecer Mikaelly Lima, uma jovem de 20 anos, moradora de Cubatão e que, após cinco anos participando do projeto, passou a ser a primeira ex-aluna contratada da organização e hoje atua como monitora. 

Caminhos de Mikaelly se cruzaram com a Mempodera em 2017

Para entendermos a jornada da Mikaelly na Mempodera, é preciso voltar lá atrás. “Minha infância foi cheia de brincadeiras. Eu brincava bastante na rua de pega- pega, de futebol com os meninos e também de roubar bandeira. Eu conheci a Mempodera com 14 anos. Um dia o projeto foi ao meu colégio, pensei em participar e acabei gostando”, relembra. 

Apesar de ser bem engajada no projeto atualmente, a rotina para participar das atividades nem sempre foi tão fácil, como conta a coordenadora Mayara Amália. “A Mikaelly está no projeto desde o início, quando começamos a atender no colégio que ela estudava, que foi a primeira escola em que nós atuamos. Ela começou como aluna e passou por todas as dificuldades. A turma foi tendo evasão e ela continuou, mesmo tendo que cuidar dos irmãos. Ela levava eles para as aulas e a gente revezava, pegava e ficava olhando. Teve uma irmãzinha recém-nascida também, de quem ela tinha a responsabilidade de cuidar”.
A luta ensinada no projeto não é tão tradicional no Brasil, e muitas das meninas possuem o primeiro contato com ela quando fazem parte da organização. Esse também é o caso da Mikaelly, que conheceu o Wrestling na Mempodera. O esporte é um dos mais antigos, e  até hoje possui modalidade proibida para mulheres, a Grego-Romana. Apesar de ser um esporte de contato, no qual dois atletas têm o objetivo de deixar o adversário com as escápulas no solo, os benefícios para quem o pratica, estão na força, desenvolvimento de habilidades pessoais e inteligência para lidar com conflitos e desafios.

“O projeto é minha segunda família. Eles têm um sentimento enorme pela minha família de sangue e por mim, especialmente a Mayara, Aline e a Lídia (fundadora e presidente da Mempodera). Eu sou grata por ter essas três mulheres na minha vida. Elas são muito importantes para mim, são minhas amigas, me dão conselhos e puxam minha orelha se  faço algo de errado, mas eu sei que é para o meu bem”, destaca.  

A mudança de chave após o projeto

Após alguns anos sendo aluna, surgiu a oportunidade de Mikaelly passar a integrar o time de colaboradores da organização. “Quando abriu a possibilidade de contratar alguém, eu acho que por merecimento, por todo esforço e por todos os motivos que ela teve para desistir e ela continuou, então a gente viu ali uma potência para poder trabalhar conosco. Não ter desistido foi uma coisa que a gente observou muito, mas também a questão de dar oportunidade de mudança e talvez uma possibilidade de mudança para a vida”, explica Mayara. 

O começo como monitora das professoras de Wrestling foi um período de difícil adaptação. “A Mayara já tinha falado que eu ia ser contratada e ela, Aline e Lídia conversaram comigo. No começo foi bem difícil para mim, porque não gosto de pedir ajuda para ninguém, então eu ficava quieta e na minha. Agora não, está muito diferente, agora se eu não sei de algo, peço ajuda para as meninas”, conta Mikaelly, que agora também auxilia nas demandas das aulas de inglês. 

A parceria da jovem com a organização vai bem mais além do laço de contratação. Foi lá que Mikaelly começou a entender questões maiores sobre si mesma e sobre a vida, além de poder aprender sobre temas que, talvez, longe da Mempodera, não teria a chance. “As mudanças dela foram muito positivas, principalmente em se expressar. Ela é uma menina que não chega atrasada e é super comprometida. Mesmo com as limitações que teve e  tem, ela se esforça para conseguir entregar e tem um lado muito responsável, principalmente de organizar e acompanhar as meninas. Percebo que ela está se tornando mais empoderada”, descreve Mayara.

Mikaelly afirma que o sentimento de ensinar o que um dia já aprendeu é de alegria. “Eu sou o espelho delas, né? Eu já fui aluna do projeto e agora eu tenho que ensinar o que passaram para mim e o que  aprendi. A sensação é boa e de alegria imensa, porque nunca imaginei ser uma monitora do projeto em que eu já fui aluna. As meninas me chamam de tia, e eu penso que já chamei a minha professora de tia. A sensação de chegar na escola e uma aluna falar: ‘tia, está tudo bem com você?’ não tem preço. Elas tiram um sorriso do rosto quando você não está bem e é uma alegria ser tia dessas meninas”.

Sobre a Mempodera

A Mempodera é uma organização que oferece aulas de Wrestling e inglês para meninos e meninas de seis a 17 anos, de forma gratuita, desde 2017. O projeto busca a igualdade de gênero por meio do esporte, da educação e do fortalecimento de vínculos. Sua atuação é em Cubatão (SP) e São Luís (MA), e mais de 600 jovens já passaram pelo pela organização e tiveram suas vidas transformadas. Para mais informações, acesse https://www.mempodera.com/

Fonte: Redação com assessoria

Imagem: Divulgação - Dayse Pacifico

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