Combustíveis

Álcool sobe de novo, mas tendência é de estabilização

Jornal do Commercio
16/01/2007 00:00
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ANP mostra alta média de 2,91% nos postos, na semana passada.

O preço do litro do álcool voltou a subir na última semana, de acordo com levantamento de preços feito pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na média verificada em cerca de 10 mil postos pesquisados em todo o Brasil, houve alta de 2,91%. Na semana passada, o litro do álcool era cotado, em média, a R$ 1,591, ante R$ 1,546 verificado de 31 de dezembro do ano passado a 6 de janeiro deste ano.

Os dois principais mercados consumidores do país refletiram essa elevação de preço. Em São Paulo, de 7 a 13 de janeiro, o litro do álcool era encontrado por R$ 1,381, em média. Na semana anterior, esse volume tinha cotação média de R$ 1,321. Essa alta de 4,54% foi constatada em 3.018 postos pesquisados. Desde a semana entre 17 e 23 dezembro, o preço do álcool subiu 13,66%. Nessa época, era cotado em média a R$ 1,215, segundo o levantamento da ANP.

No Rio de Janeiro, quem foi abastecer com álcool pagou, em média, R$ 1,713, aumento de 2,69% em relação aos R$ 1,668 observados na primeira semana do ano. Em relação à pesquisa feita entre os dias 17 e 23 de dezembro, quando o litro do álcool era cotado, em média, a R$ 1,631, percebe-se uma elevação de 5,02%.

Já a cotação do álcool nas usinas começa a apresentar caminho inverso. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, indicam que o álcool hidratado, que é usado direto no tanque, caiu 1,5% na semana passada, sendo vendido a R$ 0,8552 o litro, sem impostos. Já o anidro , que é adicionado à gasolina, recuou 0,37%, para R$ 0,8746.

O vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Alísio Vaz, aponta para um quadro de estabilidade no preço do álcool daqui para frente, com possibilidade de pequena redução nos postos. Ele explica que o maior indicador desse cenário é o levantamento do Cepea nas usinas que aponta queda dos preços na última semana.

Vaz afirma que a alta nos postos verificada na última semana ainda reflete a elevação de preços nas vendas feitas pelos usineiros, que perduraram durante o mês de dezembro, sendo interrompida no início deste ano. "Houve uma elevação acima do esperado no fim do ano passado, mas que já arrefeceu. Espera-se uma entresafra mais tranquila, há bastante oferta de álcool, e o quadro deve permanecer assim."

O representante do Sindicom prevê que o aumento do álcool não terá influência na gasolina, que tem adição de 23% de álcool anidro. Isso acontece, segundo ele, pela pouca elevação dos preços do álcool que é justamente misturado à gasolina. Desde novembro, destaca Vaz, o litro do álcool anidro vendido nas usinas subiu 2,5%, enquanto que o álcool hidratado teve 14% de aumento.

"Isso reflete a demanda maior e especulação em cima do hidratado. Como o anidro subiu menos, quase não há impacto na gasolina", enfatiza.

Economista do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Rio de Janeiro (Sindicomb-RJ), Rodrigo Mello, diz que ainda é cedo para se traçar qualquer cenário futuro no curto prazo para os preços do álcool. "Acho que o cenário ainda está indefinido. Essa queda nas usinas ainda não é um indicativo preciso de uma estabilização daqui para frente. Temos que aguardar mais um pouco", observa.

Ele afirma acreditar que a queda verificada nas vendas das usinas ocorreu em função da pressão feita pelo Governo, que ameaçou reduzir o nível de álcool anidro na gasolina, e da própria sociedade.

Mello alega que o Governo errou ao ampliar o nível de álcool anidro de 20% para 23% na gasolina. Mesmo com a alta mais tímida do álcool que é misturado à gasolina, o economista sustenta que ele está relacionado diretamente ao álcool hidratado. "Se um sobe, o outro acompanha. Se o usineiro ganhar mais no hidratado, o preço do anidro sobe também", afirma Mello, que cobra do Governo a adoção de um estoque para regular o preço do álcool.

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