Combustíveis
Valor Econômico
O consumidor de São Paulo, que já deve estar repensando que combustível usar em seu automóvel, depois de meses de hegemonia do etanol, deve bater o martelo na próxima semana. Pelo menos no critério "preço", a gasolina deve voltar a ser mais atrativa do que o álcool no maior mercado de combustível do país.
Segundo levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), nos últimos sete dias encerrados em 2 de janeiro, o preço médio do álcool hidratado nos postos paulistas foi de R$ 1,670, o que representa 68,67% do valor da gasolina, que fechou em R$ 2,432 no mesmo período. Para ser viável ao consumidor final, o álcool tem que valer até 70% do preço do derivado de petróleo o que, tecnicamente, já está ocorrendo. No entanto, a tendência é que esse limite não só seja oficialmente alcançado, mas superado na próxima semana, uma vez que o valor na usina continua subindo.
Nesta semana, os negócios nas indústrias produtoras de álcool já estão sendo fechados em preços mais elevados. De acordo com levantamento da consultoria FCStone, desde segunda-feira, negócios têm sido fechado a R$ 1,37 o litro do hidratado na usina e com imposto, enquanto que, antes do Natal, esse valor estava no patamar de R$ 1,25. "Já há usina pedindo R$ 1,40, apesar de ainda não ter saído venda a esse valor", diz Rodrigo Martini, consultor de gerenciamento de risco da FCStone.
O sindicato que representa as distribuidoras de combustíveis, o Sindicom, confirma o reajuste na usina. "Nossas associadas têm encontrado o produto a preço mais elevado", diz Alisio Mendes Vaz, vice-presidente executivo do Sindicom. Ele complementa que a mudança no comportamento do consumidor já vem sendo percebida com arrefecimento de demanda, no entanto, ainda sem dados oficiais que a confirmem.
Para Antônio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), o consumo na bomba ainda não está respondendo ao preço maior, apesar de reconhecer que, de fato, há uma forte tendência de que na próxima semana o álcool vá, sim, perder a disputa em preço para a gasolina. "Não existe oferta para manter o volume de vendas, que cresceram 25% em um ano, aos preços que estavam. Quem vai ditar a velocidade a direção do preço do etanol será o consumidor".
Trata-se de um ajuste já esperado. "É necessária uma elevação no valor para ajustar a oferta com a demanda", diz Tarcilo Rodrigues, da Bioagência, que negocia a produção de etanol de 26 usinas do Centro-Sul do País. A trading também identificou nesta semana preços de etanol na usina a R$ 1,35, ante os R$ 1,24 registrados da semana que antecedeu o Natal.
Até 2 de janeiro, a atratividade do álcool estava mantida em seis estados, a maior parte em níveis bem próximos do limite de 70% do preço da gasolina: Bahia (69,5%), Goiás (62,8%), Mato Grosso (57,7%), Paraná (67,6%), Pernambuco (66,5%) e Tocantins (65,84%).
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