Combustíveis

Álcool e gasolina sofrerão mais aumentos até abril

Jornal do Brasil
26/01/2006 00:00
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Escassez de cana, apontada como razão para reajuste de ontem, durará três meses.

O reajuste no preço dos combustíveis, que começou a vigorar nos postos do Distrito Federal ontem, deve ser apenas o primeiro do ano, avalia Roberto Piscitelli, professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB). Outros reajustes ocorrerão nos próximos três meses.

Piscitelli explica que a escassez de cana-de-açúcar, razão alegada para o aumento de ontem, deve continuar até o mês de abril, quando começa a nova safra. Até lá, sobrará para o bolso do consumidor. O reajuste - decidido na semana passada e em vigor desde ontem - elevou o valor da gasolina de R$ 2,64 para R$ 2,67 e do álcool de R$ 1,95 para R$ 1,99.

- A tendência é que o preço do açúcar no mercado internacional continue a subir - diz Pisciatelli.

O professor afirma ainda que a situação é de desvantagem para todos, mas que frustra especialmente os proprietários de carros com motor bicombustível - também conhecidos como motor flex. A promessa era utilizar um combustível mais barato e correto em termos ambientais.

- Pensou-se ainda que esse consumo alavancaria um produto nacional, o que tem se mostrado um engano, já que o governo não consegue interferir no processo e fazer com que os usineiros invistam na produção do álcool - diz Piscitelli.

O corretor de imóveis Adelson Cardoso sente-se duplamente atingido: no bolso e na expectativa fracassada de economia. Há oito meses, ele trocou dois dos quatro carros que tem em casa por automóveis com motores flex.

Segundo ele, esse tipo de veículo custava, naquele momento, em torno de 10% a 12% a mais do que o carro comum. Por isso optou por diluir o gasto, no médio prazo, no abastecimento dos veículos. Agora, além de usar apenas gasolina, vai gastar R$ 400 por semana em combustível.

- Minhas duas filhas são estudantes e dependem de mim - comenta.

Situação semelhante é a da funcionária pública Arete Araújo. Há quatro meses, ela trocou seu carro, ano 2004, por outro do mesmo modelo, mas bicombustível, motivada pela idéia de que faria economia. No entanto, usou álcool apenas no primeiro mês.

- A troca não valeu a pena. Eu continuo gastando muito para abastecer o carro, ao menos R$ 80 por semana. Isso antes do reajuste - desabafa.

Padronização - Ao menos 70% dos carros que saem das fábricas hoje utilizam motor bicombustível. E a frota deve aumentar, pois até o final do ano as montadoras esperam produzir apenas carros com esse padrão.

Edson Maia, presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos Autorizados do Distrito Federal (Sincodiv-DF), acredita que compensa comprar carro bicombustível apesar da alta do álcool. Os motivos, segundo ele, são dois: não há diferença de preços entre o motor flex e o motor comum; o outro tem a ver com a sazonalidade do preço, que deve voltar ao normal após o período de entressafra.

- Com um motor flex, o consumidor pode escolher pelo combustível mais barato no momento de abastecer - avalia.

Roberto Piscitelli, professor da UnB, discorda. Para ele, a alta dos preços se deve à falta de regulação dos preços por parte do governo e não a fatores sazonais.

- Falta o governo pressionar os usineiros a baixar os preços e investir no mercado interno, que deve ser prioritário quando o assunto é tão estrutural quanto abastecimento de automóveis - afirma.

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