Avaliação

Agendas ambiental e energética devem andar juntas, defende especialista

O consumo de energia crescente no Brasil e, por extensão, em todo o mundo, alerta para a necessidade de uma mudança cultural da sociedade em busca de melhor eficiência energética. A avaliação foi feita ontem (30) pelo presidente do Conselho Empresarial de Energia da Federação das Indústrias

Agência Brasil
31/03/2009 09:10
Visualizações: 1187

O consumo de energia crescente no Brasil e, por extensão, em todo o mundo, alerta para a necessidade de uma mudança cultural da sociedade em busca de melhor eficiência energética. A avaliação foi feita ontem (30) pelo presidente do Conselho Empresarial de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Armando Guedes Coelho. Ele disse que investir em eficiência mundialmente resultaria em uma economia de quase 25% da energia que é consumida. “Você consegue produzir a mesma coisa  com menos energia e não polui o ambiente.”

 


O executivo, que é ex-presidente da Petrobrás, considerou correta proposta de  integração das agendas ambiental e energética, feita pela Associação Brasileira de Concessionárias de Energia Elétrica (ABCE), visando a facilitar  o uso do potencial hídrico brasileiro. A medida evitaria disputas inúteis e o desperdício de energia.

 

No caso das usinas hidrelétricas do Rio Madeira (Jirau e Santo Antonio), em Rondônia, Guedes apontou que  a proibição para a construção de reservatórios de água na região, por questões ambientais, vai impedir a produção de uma quantidade elevada de energia. “Não existindo essa energia, você vai ter que investir em térmicas. E a térmica  polui muito mais do que aquilo que você faria lá com os reservatórios”.

 

A questão tem que ser olhada com cuidado e bom senso para conciliar o desenvolvimento com o meio ambiente, recomendou Armando Guedes, reforçando que as duas agendas – ambiental e energética – devem andar juntas, com o objetivo de obter ganhos em termos de  eficiência. “A humanidade vai ter que passar por um processo de aprendizado, de convivência, de tolerância, para buscar o equilíbrio entre esses dois segmentos”.

 

O presidente do Conselho de Energia da Firjan  acredita que a fonte hidrelétrica vai continuar  predominando no Brasil. “Mais da metade do nosso potencial hidrelétrico ainda não foi explorado”. A grande questão, a seu ver, consiste no licenciamento ambiental. Advertiu, porém, que o estabelecimento de programas bem estruturados pode garantir a liberação paulatina de licenças.

 


Armando Guedes participa amanhã (31) do Fórum ABCE Plano Decenal, na Firjan, que vai debater a expansão da oferta de energia, sua relação com as questões ambientais e as alternativas existentes. O Plano Decenal de Energia Elétrica (PDEE) prevê investimentos de R$ 142 bilhões em geração de energia no período 2008/2017, o que representará o acréscimo de 63.935 megawatts (MW) de capacidade instalada na matriz energética brasileira. Desse total, 20.882 MW provêm de usinas térmicas, o que elevará em cerca de 172% o nível de emissão de gases causadores do  efeito estufa na atmosfera.

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