Energia Eólica

Abengoa: investidores estudam assumir linhas de transmissão

Reuters - 20/01/2016
21/01/2016 12:02
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Investidores em energia eólica no Brasil avaliam a possibilidade de assumir a construção de parte das linhas de transmissão que estavam a cargo da Abengoa, que paralisou todos projetos no país, para evitar terem usinas prejudicadas pela falta de conexão ao sistema.

Segundo três especialistas próximos ao assunto, a solução seria válida apenas para determinados projetos e provavelmente seria de interesse apenas de grandes grupos, como Renova e CPFL Renováveis, que podem perder receita se não tiverem linhas onde conectar suas usinas a partir da data estipulada em contrato para início da operação.

"Vários agentes geradores já estão se reunindo para ver se conseguem viabilizar (a proposta)... Isso pode dar certo para alguns casos. Não é uma solução generalizada, mas poderia atender algumas situações específicas", afirmou o consultor Barne Laureano, da Laureano & Meirelles Engenharia.

Mesmo a geradora Casa dos Ventos, que não tem projetos imediatamente afetados, poderá se envolver no caso, mirando o potencial futuro das usinas que estuda implementar na região Nordeste.

"Como temos projetos nas áreas afetadas, nós nos dispusemos a eventualmente estudar ativos específicos (da Abengoa). Talvez isso passe por um consórcio, com transmissoras ou geradoras, para tentar dar uma solução", afirmou à Reuters o diretor de Novos Negócios da Casa dos Ventos, Lucas Araripe.

O vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Lauro Fiúza Jr, confirmou que há uma busca dos empreendedores de meios para fazer frente à gravidade da situação.

"É real essa movimentação... Uma das soluções é as empresas que já estão no meio do caminho (com obras em andamento) se unirem para propor de fazer a conexão à rede", explicou.

A Abeeólica estima que 1,5 gigawatt em usinas eólicas já licitadas seriam conectadas a linhas em construção pela Abengoa, que suspendeu as obras após sua matriz na Espanha entrar com pedido preliminar de recuperação judicial.

A ideia das geradoras é que, caso a saída em estudo seja vista como viável pelo regulador, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), elas possam escolher quais linhas ou subestações da Abengoa têm interesse em construir, assumindo a receita anual estabelecida para as obras em questão.

Segundo Laureano, o interesse das empresas não é necessariamente assumir os contratos de concessão da Abengoa, mas apenas as instalações minimamente necessárias para escoar a energia das usinas.

"Ele (investidor em eólicas) coloca, por exemplo, um transformador em uma subestação e passa a receber uma receita pelo investimento que fez. A Aneel poderia fazer uma resolução e transferir esse ativo para uma transmissora, e ele fica livre da operação e manutenção disso", explicou.

Tanto Fiúza quanto Laureano defendem que será necessário tomar medidas que não estão previstas na regulação para viabilizar a geração das eólicas sem atrasos.

"O problema é muito sério e só medidas emergenciais e que passem por cima do processo (podem solucioná-lo)... Não dá pra ficar seguindo os trâmites normais", apontou Fiúza.

Procuradas pela reportagem, Renova Energia e CPFL Renováveis não comentaram o assunto.

A Enel Green Power, que também tem usinas eólicas em instalação no Nordeste, afirmou que "não tem interesse em adquirir esses ativos (da Abengoa)", mas confirmou que participou de reunião sobre o assunto por ser um dos investidores mais relevantes em energias renováveis no Brasil.

"Qualquer discussão sobre a rede de transmissão do país é relevante para o negócio e as operações locais da EGP", afirmou em nota a companhia italiana.

A Abengoa informou, também em nota, que "está em contato permanente com as autoridades locais e em busca de uma solução para os empreendimentos em desenvolvimento no país".

Segundo a companhia espanhola, os esforços estão concentrados na busca de uma saída que "permita retomar os projetos, minimizar impactos e alcançar uma solução adequada para todas as partes interessadas afetadas pela situação atual".

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