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A crise do petróleo pode ser ainda maior

O barril de petróleo chegou ao preço mais alto dos últimos 21 anos, nesta sexta-feira (30/07). O WTI ultrapassou os US$ 43,50 e o Brent atingiu a marca dos US$ 39. Apesar da forte alta analistas acreditam que o petróleo está barato. O pesquisador do grupo de energia da UFRJ Edmar de Almeida acr

Com agências intern
30/07/2004 00:00
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O barril de petróleo chegou ao preço mais alto dos últimos 21 anos, nesta sexta-feira (30/07). O WTI ultrapassou os US$ 43,50 e o Brent atingiu a marca dos US$ 39. Apesar da forte alta superior inclusive aos preços de 1990, em plena Guerra do Golfo, analistas acreditam que o petróleo está barato. O pesquisador do grupo de energia da UFRJ Edmar de Almeida acredita que o valor real do petróleo estaria entre US$ 65 e US$ 80. O investidor alemão da área de energia de Matthew Simmons projeta o preço do barril para US$ 182.
Embora o professor Almeida não faça previsões tão alarmantes concorda com Simmons a respeito da necessidade de aumentar os preços para conter a demanda. A diferença entre os dois é a motivação para esta contenção. Simmons defende que é preciso estabelecer preços realistas para controlar a demanda e reduzir a produção que está chegando ao limite máximo. Para Almeida, o importante não é quantidade de petróleo existente, mas o impacto econômico político de depender de países como a Arábia Saudita ou Iraque, onde há muito petróleo e pouca estabilidade.
Segundo o professor, se o preço chegar a US$ 65, que seria o valor equivalente aos US$ 40 dos anos 80, os governos e a sociedade tomariam medidas para reduzir o consumo e criar novas alternativas energéticas. "A diversificação da matriz energética começou quanto o preço do petróleo ficou muito alto depois dos choques do petróleo em 73 e 79. Com o contra-choque, em 90, quando o insumo ficou muito barato, o consumo aumentou mais do que as expectativas", diz Almeida.
Simmons faz parte da Associação para o Estudo da Produção Máxima de Petróleo (Aspo - sigla em inglês), que reúne geólogos, investidores e acadêmicos que há alguns anos alertam sobre a alta no preço do petróleo e a queda na produção. Em contrapartida, Almeida acredita que se o barril chegar a US$ 65 vai aparecer muito petróleo no mundo ainda.
Pelo menos para a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o argumento de Simmons parece ter um fundo de verdade. Os países da Opep estão operando com 95% da capacidade de produção e não têm condições de ampliar a oferta e equilibrar a pressão da demanda mundial, que não pára de crescer. A Opep está produzindo no nível mais alto dos últimos 25 anos.
Analistas da Aspo afirmam ainda que a crise atual já deve ser maior do que parece. A maioria dos cálculos de previsões da Associação são feitos pelo ex vice-presidente da multinacional TotalFinaElf, Colin Campbell, que observa que muitos dados oficiais sobre o petróleo são falsos ou mentirosos. "A produção e o consumo de petróelo deveriam ser regulados por governos, porque escândalos como o das reservas falsas da Shell ameaçam a segurança do suprimento de energia tanto quanto bombas nos oleodutos", conclui Campbell.
Ainda que pareça exagero, alguns números recentes tendem a confirmar as previsões da Aspo.
A produção do Mar do Norte está diminuindo a uma taxa cada vez maior, depois de ter atingido seu auge em 1999. E o número de novos campos de petróleo importantes descobertos em todo o mundo caiu a zero pela primeira vez em 2003, apesar de uma melhora óbvia na tecnologia.
Nos Estados Unidos, o resultado da alta do petróleo já pode ser sentido nas ruas. Segundo o Departamento de Comércio norte-americano, o taxa de consumo do segundo trimestre ficou em 3%, enquanto no início do ano havia ficado em 4,5%.
Segundo do Departamento de Comércio, a alta do petróleo está funcionando como um "imposto não-oficial". O aumento de preços, puxado pelo petróleo, foi apontado como uma das principais razões para que o governo autorizasse o aumento das taxas de juros, no mês passado.
No Brasil, uma das medidas sugeridas por Edmar de Almeida para reduzir a dependência do petróleo é incentivar o uso do gás natural. "O Brasil e a região da América Latina tem grandes reservas de gás a um custo relativamente barato e isso pode reduzir o impacto das altas de preços", conclui.

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