Combustíveis

Consumo de combustíveis ciclo Otto no Brasil deve crescer 5,5% em 2021, diz StoneX

Reuters, 23/11/2021
23/11/2021 07:35
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O consumo brasileiro de combustíveis ciclo Otto (etanol e gasolina) deve crescer 5,5% neste ano ante 2020, para 52 bilhões de litros, com a gasolina assumindo maior protagonismo, apontou levantamento da consultoria StoneX nesta terça-feira.
No centro-sul, principal região consumidora, a paridade de preços entre o etanol hidratado e a gasolina já alcança 81,4%, tendência que deve se manter até março do próximo ano, dado o período de entressafra da cana no cinturão canavieiro --com menor oferta de álcool.
Dessa forma, a demanda nacional por etanol hidratado, concorrente da gasolina nas bombas, deve ser próxima de 17 bilhões de litros neste ano, representando recuo de cerca de 13% versus o ano passado, apontou o documento.
Em paralelo, a demanda por anidro (misturado na gasolina vendida nos postos) deve se elevar, para nível em linha com 11 bilhões de litros, afirmou.
"Ainda assim, os preços dos combustíveis em patamares elevados podem dificultar o avanço da mobilidade urbana nos próximos meses, atuando como fator de pressão sobre a demanda por Ciclo Otto", disse a StoneX.
O avanço das vendas do ciclo Otto ocorrem apesar de as perspectivas econômicas no país terem se deteriorado desde o primeiro semestre do ano.
"Uma aceleração inflacionária com múltiplos focos de pressão de custos associada a uma constante e desorganizada alternância de prioridades na agenda econômica do governo federal provocou revisões frequentes da perspectiva de crescimento econômico, inflação, câmbio e juros para o país", afirmou o relatório.
"O desempenho positivo do agronegócio e de algumas atividades de serviços, por outro lado, podem atenuar o resultado mais fraco dos demais setores."
Em 2022, a StoneX projeta que o consumo de Ciclo Otto no Brasil cresça em 2,2%, perspectiva que ainda dependerá das tendências para os preços dos combustíveis no mercado brasileiro.
"Parece provável que as usinas direcionem maior volume de cana à produção de etanol, favorecendo sua competitividade nas bombas", disse o grupo.
No ciclo 2022/23 (abr-mar) do centro-Sul, estima-se que o consumo de hidratado seja próximo de 16,7 bilhões de litros(+18,3%), ao passo que o de anidro totalize 7,7 bilhões de litros (-3,4%).

Eletrificação da frota
No relatório, a StoneX destacou ainda que as perspectivas para a eletrificação da frota brasileira são positivas, "ainda que tal crescimento esbarre em fatores limitantes de infraestrutura e custos elevados".
A venda de veículos híbridos e 100% elétricos alcançou um recorde de 14 mil unidades no primeiro semestre de 2021, crescimento anual de 80%, segundo a consultoria.
Tal expansão deve ganhar força no longo prazo, com os veículos elétricos podendo representar 62% da frota brasileira até 2035, segundo projeções da Anfavea, pontuou o relatório.
"Para isso se concretizar, contudo, maiores investimentos e subsídios deverão ser concedidos ao setor", disse a StoneX.
Levando em consideração que o ambiente ainda se mostra adverso à penetração dos elétricos, a StoneX projeta que esta frota ainda represente 0,2% e 0,3% do total de veículos em 2021 e 2022, respectivamente.
Embora tenha impacto negativo sobre o consumo de Ciclo Otto nos próximos anos, a StoneX apontou que é preciso ponderar que o etanol deve ganhar destaque neste contexto, já que o mercado brasileiro deve apostar no álcool em seus projetos de eletrificação, especialmente de híbridos.

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