Gás Natural

Brasil e Argentina buscam rota via Bolívia para escoar gás natural de Vaca Muerta

Reuters, 02/04/2024
02/04/2024 06:31
Visualizações: 2366

Companhias de energia da Argentina e do Brasil iniciaram negociações para reverter o fluxo de gás de uma rede de gasodutos que liga os países, passando pela Bolívia, já que a escassez regional do combustível ameaça empurrar o Brasil para importações mais caras. No entanto, uma proposta preliminar de mudança de rota do gasoduto não conseguiu ganhar força com o governo boliviano, de acordo com executivos e fontes, deixando o Brasil cada vez mais exposto a oscilações nos preços internacionais do gás natural liquefeito (GNL).

O Brasil deixou claro nos últimos meses que precisará do gás da Argentina, que possui a segunda maior reserva de gás de xisto do mundo, para equilibrar seu fornecimento. As exportações da Bolívia, que já foi um dos principais produtores da região, diminuíram rapidamente e podem não estar disponíveis após 2029, segundo especialistas. A opção mais rápida e barata para resolver o déficit regional pode ser a exportação de gás para o Brasil a partir da região argentina de Vaca Muerta, revertendo o sentido de uma rede de gasodutos bolivianos que tem levado gás do país para a Argentina.

Mas o governo do novo presidente argentino, Javier Milei, precisa primeiro concluir a reversão do gasoduto em seu território para levar seu gás até a fronteira boliviana e criar a estrutura comercial necessária para negociar tarifas, de acordo com executivos e especialistas envolvidos nas negociações.

O governo boliviano e a estatal YPFB rejeitaram recentemente uma proposta inicial da Argentina e do Brasil de pagar um pedágio pela passagem do gás argentino por seu território, segundo três executivos das empresas envolvidas. O país andino propôs a importação do gás argentino e sua revenda a empresas no Brasil, acrescentaram. Esse plano foi rejeitado pelas contrapartes porque implicaria custos de importação significativamente mais altos para o Brasil. “É um problema comercial”, disse Mauricio Tolmasquim, diretor de transição energética da Petrobras, um dos maiores receptores de gás da Bolívia. “Temos que encontrar um meio-termo”.

A Argentina quer resolver os gargalos de transporte interno este ano para equilibrar sua balança comercial de energia e começar a planejar suas exportações. Por sua vez, a Bolívia teria que negociar termos para facilitar a passagem do gás por seu território. Se ambas as coisas acontecerem, o gás argentino poderá começar a fluir para o Brasil no próximo ano, durante a temporada de baixa demanda dentro da própria Argentina, disse Alvaro Rios, diretor da consultoria Gas Energy Latin America.

Os governos da Bolívia e da Argentina e a YPFB não responderam aos pedidos de comentários. Os preços do GNL atingiram um recorde em 2022, desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia, mas caíram para seu nível mais baixo em quase três anos devido à demanda mais fraca do que o esperado em meio a um inverno ameno e grandes estoques nos Estados Unidos, Europa e Japão.

A Petrobras aspira receber mais gás para ocupar toda a capacidade de seu gasoduto da Bolívia, que atualmente está operando com cerca de 60% da capacidade, disse Tolmasquim nos bastidores da conferência CERAWeek, em Houston, há alguns dias. “Se a Bolívia puder aumentar o fornecimento para o Brasil, seria perfeito, porque então poderemos procurar outra maneira de trazer gás da Argentina, como construir outro gasoduto para o sul do Brasil ou podemos recorrer ao GNL”, acrescentou. No entanto, o país andino não conseguiu cumprir os volumes negociados com o Brasil até o ano passado.

Em dezembro, a Petrobras concordou em alterar seu contrato de gás boliviano para manter as importações em até 20 milhões de metros cúbicos por dia. O acordo também permitiu flexibilidade sazonal e estendeu o prazo para atingir o fornecimento total, informou a empresa. A Argentina, o segundo maior destinatário de gás da Bolívia, poderá suspender as importações em outubro se concluir a reversão do gasoduto do norte e conseguir expandir sua própria rede de gás para levar mais gás dos campos de Vaca Muerta para suas províncias do norte, informaram os fornecedores de gás.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Resultado
Produção dos associados da ABPIP cresce 22,8% em 2025 e ...
05/02/26
Descomissionamento
ONIP apresenta ao Governo Federal propostas para transfo...
04/02/26
Pessoas
Daniela Lopes Coutinho é a nova vice-presidente executiv...
04/02/26
Resultado
Com 4,897 milhões boe/d, produção de petróleo e gás em 2...
03/02/26
Pré-Sal
Três FPSOs operados pela MODEC fecharam 2025 entre os 10...
03/02/26
Pré-Sal
Shell dá boas-vindas à KUFPEC como parceira no Projeto O...
03/02/26
Gás Natural
GNLink recebe autorização da ANP e inicia operação da pr...
02/02/26
Gás Natural
Firjan percebe cenário positivo com redução nos preços d...
02/02/26
Etanol
Anidro e hidratado fecham mistos na última semana de jan...
02/02/26
GNV
Sindirepa: preço do GNV terá redução de até 12,5% no Rio...
30/01/26
Descomissionamento
SLB inaugura Centro de Excelência em Descomissionamento
30/01/26
Apoio Offshore
Wilson Sons lança rebocador da nova série para atender d...
30/01/26
Gás Natural
Firjan lança publicação e promove debate sobre futuro do...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 terá programação diversa e foco na pro...
28/01/26
Internacional
Petrobras amplia venda de petróleo para a Índia
28/01/26
Offshore
Projeto Sergipe Águas Profundas tem plano de desenvolvim...
28/01/26
Royalties
Valores referentes à produção de novembro para contratos...
28/01/26
Gás Natural
Petrobras reduz preços do gás natural para distribuidoras
28/01/26
Gás Natural
Renovação das concessões de gás no Rio exige transparênc...
28/01/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 antecipa grandes debates e inicia cont...
27/01/26
Gás Natural
Firjan: Rio de Janeiro consolida papel de "hub do gás" e...
27/01/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.