Artigo

Tributação de empresas offshore em fase de mudança em função da PL feita pelo governo, por Francisco Arrighi

Redação TN Petróleo/Assessoria
12/09/2023 10:01
Tributação de empresas offshore em fase de mudança em função da PL feita pelo governo, por Francisco Arrighi Imagem: Divulgação Visualizações: 2377

Com o intuito de alterar a tributação dos ativos financeiros no exterior, das pessoas físicas residentes no Brasil, o governo federal enviou à Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 4173/23, para tratar de alterações nas regras de tributação de bens e direitos detidos por pessoas físicas no exterior, e diferentemente das MPs, os Projetos de Lei não há prazo regulamentar de até 120 dias para conversão em lei, precisando ser convertido em lei até o final de 2023, para produzir efeitos a partir de 1º de janeiro de 2024. 

 Vale destacar que o projeto foi enviado à Câmara com urgência, que dispensa a análise pelas comissões, e autoriza a votação direta em plenário, e caso não haja manifestação do Congresso, ele tranca a pauta de votação, sendo priorizado em detrimento das demais matérias. Este pedido de urgência se deu, pois, segundo o Ministério da Fazenda, o potencial de arrecadação é de mais de R$ 20 bilhões entre 2024 e 2026. 

O projeto prevê a cobrança de imposto de renda sobre os rendimentos gerados por aplicações financeiras, entidades controladas e trusts localizados no exterior. 

A intenção, ainda, é de criar regras para a tributação dos trusts, que são amplamente utilizados para planejamento patrimonial e sucessório no exterior.  

Este Projeto é bem semelhante a MP 1171/2023, que já foi aprovada e virou lei, excluindo-se a parte que tratava de offfshore, mas não igual, já que a MP tratava da tributação de offshores e da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. 

Com isso, o governo decidiu reenviar a tributação das aplicações no exterior por meio de projeto de lei. Segundo o Executivo, a proposta incorpora parte das emendas apresentadas por parlamentares durante a análise da MP 1171/23. 

O que pretende o governo é taxar os ativos dos brasileiros no exterior, que somam mais de 1 trilhão de reais, cujos lucros não sofrem tributação, caso não retornem ao Brasil. Ou seja, os ativos ficam anos no exterior sem sofrer qualquer tipo de tributação. 

Além disso, dispõe sobre a criação de uma janela de transição, com adesão facultativa, para o contribuinte atualizar o valor de bens e direitos mantidos fora do Brasil e se adequar às novas normas. 

O PL traz em seu texto que a nova regra será aplicada a partir de 1º de janeiro de 2024, em relação aos resultados acumulados até 31 de dezembro de 2023, os mesmos serão tributados somente no momento da efetiva disponibilização. 

A proposta prevê que a pessoa física com renda de até R$ 6 mil, por ano, estará sujeita à alíquota de 0% do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), cuja ideia é não taxar aquelas pessoas que apenas utilizam as contas estrangerias para viagens, por exemplo. 

Já, para renda entre R$ 6 mil e R$ 50 mil, a alíquota do IRPF será de 15% e para renda superior a R$ 50 mil, à alíquota de 22,5%. Apenas destacando que esta alíquota de 22,5% é a alíquota máxima já aplicada para aplicações financeiras de curto prazo no Brasil. 

Não haverá incidência de IRPF no caso de variação cambial de depósitos em conta corrente ou em cartão de débito ou crédito no exterior, desde que os depósitos não sejam remunerados, bem como sobre a variação cambial de moeda estrangeira em espécie até o limite de venda da moeda no ano-calendário equivalente a cinco mil dólares. 

Precisamos agora aguardar a votação do Congresso, se aprovada, ser enviada para aprovação do Presidente, para, então, entrar em vigor. 

Sobre o autor: Francisco Arrighi é consultor tributário e presidente da Fradema Consultores Tributários

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Pré-Sal
P-80 e P-82, que vão operar em Búzios, são batizadas em ...
27/08/26
Royalties
Valores referentes à produção de junho foram distribuído...
27/08/26
Pré-Sal
Campo de Búzios bate recordes mensal e diário de exporta...
26/08/26
ROG.e
ROG.e 2026 reúne líderes globais para discutir o futuro ...
26/08/26
Gás Natural
Décio Oddone aponta concentração como entrave ao mercado...
26/08/26
Competição
Shell Eco-marathon Brasil: inspeção técnica define carro...
26/08/26
ROG.e
Sindicom promove Arena de Lubrificantes na ROG.e 2026
25/08/26
Pessoas
Felipe Arbelaez é nomeado head of country da bp no Brasil
25/08/26
Parceria tecnológica
Foresea inicia formação exclusiva de PCDs em tecnologia ...
25/08/26
Petrobras
Licitação para nova Unidade de Hidrotratamento (HDT) da ...
24/08/26
Pessoas
ABRATE elege novo Conselho Diretor e lança ABRATE 3.0 pa...
24/08/26
Prêmio ANP de Inovação Tecnológica
ANP publica edital do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica...
24/08/26
Postos e Conveniência
Ipiranga e Texaco inauguram primeiro posto Texaco no Rio...
24/08/26
Combustíveis
Vibra se torna a primeira distribuidora a oferecer gasol...
24/08/26
Tecnologia
Corvus Energy amplia suporte técnico ao crescente setor ...
24/08/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em alta e amplia ganhos no mercado...
24/08/26
Pessoas
Novo diretor do COPPEAD assume com desafio de ir além da...
21/08/26
Gás Natural
Firjan comemora adesão do Rio ao Pacto Nacional para o D...
21/08/26
Biodiesel
ANP fará consulta e audiência públicas sobre monitoramen...
21/08/26
Navalshore
BioRen apresenta tecnologia pioneira no combate às bioin...
21/08/26
Pré-Sal
Com 180 mil bpd, FPSO Alexandre de Gusmão atinge topo de...
21/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.