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Partilha, lições aprendidas com o novo modelo, por Ibsen Flores

Ibsen Flores
30/10/2017 18:20
Partilha, lições aprendidas com o novo modelo, por Ibsen Flores Imagem: Divulgação Visualizações: 600 (0) (0) (0) (0)

Às vésperas do início da produção de Libra, o primeiro contrato sob o regime de partilha de produção no polígono do pré-sal, constatamos que os frutos conquistados com o novo regime vão além dos resultados financeiros. Em uma atuação conjunta, focada na construção de um projeto de classe mundial, a Pré-Sal Petróleo, a Petrobras (operadora) e os consorciados Shell, Total, CNOOC e CNPC criaram um ambiente de colaboração, transparência, superação de desafios e otimização de custos que já trazem respostas imediatas ao consórcio.

Entre as lições aprendidas nesses quatro anos, o topo da lista é ocupado pela força do trabalho colaborativo. Pela regra estabelecida no consórcio, a Pré-Sal Petróleo participa de todos os comitês técnicos de Libra e tem 50% dos votos no comitê operacional, onde são tomadas as principais decisões, sempre pautadas em critérios técnicos e econômicos. A experiência já nos mostra que a partilha, com seu modelo de governança compartilhado entre o Estado e a iniciativa privada, favorece a implantação de soluções inovadoras, de processos de monitoramento de alta performance, bem como o estabelecimento de um modelo operacional consensual que persegue a eficácia. Prova disso é que as soluções são tão bem desenvolvidas nos comitês técnicos que chegam praticamente prontas no comitê operacional.

Só na área de tecnologia aplicada aprovamos em torno de 20 projetos, com elevado grau de inovação na indústria brasileira. Juntos, por exemplo, trabalhamos no desenvolvimento e aplicação de novas membranas para separação de CO2 , com o objetivo de reduzir perdas de hidrocarbonetos leves na reinjeção no reservatório; realizamos estudos para aplicação de novos conceitos de separação gás-óleo, com potencial benefício na redução da necessidade de compressão do gás e, consequentemente, na diminuição dos custos das unidades de produção; avaliamos comparativamente o desempenho de linhas rígidas e flexíveis no projeto e buscamos alternativas visando ao melhor aproveitamento econômico do gás produzido. Estamos certos de que o coletivo está produzindo resultados visíveis em Libra, que valem de referência para a contribuição ao país do modelo de partilha no pré-sal.

Nos próximos dias, vamos assistir juntos à chegada de novos investidores para o pré-sal. Outras oito áreas serão leiloadas na 2ª e 3ª Rodadas de Licitações sob o regime de partilha de produção na área do pré-sal, em 27 de outubro. Segundo projeção da Agência Nacional de Petróleo, as novas áreas vão gerar investimentos da ordem de US$ 36 bilhões, traduzindo-se em empregos e encomendas para a indústria. Novos operadores, novos consorciados, novas culturas. Muito mais a aprender.

Com a chegada dos novos players, estamos transformando o aprendizado de Libra em modelo de negócio. Reconhecemos, por exemplo, a necessidade de padronizar procedimentos e criar uma metodologia de monitoramento dos projetos com ênfase no planejamento e na efetividade do processo de reconhecimento de custos. Em paralelo, estamos a cada dia mais inseridos na ambiência do pré-sal, com um arcabouço de conhecimentos legais e metodológicos.

Começa assim a nascer um banco de dados do pré-sal, onde, no futuro, poderemos conhecer e comparar desde dados exploratórios até preços praticados por cada fase de projeto. Ganha a União, que maximiza seus resultados; ganha a sociedade, que tem um guardião zeloso de seu patrimônio e também se beneficia com a transferência da maior parte das receitas obtidas para o fundo social e para as áreas de educação e saúde; ganham os consorciados, com uma governança colaborativa e eficiente. Que venham os novos investidores. Juntos certamente iremos construir essa história exitosa da exploração e produção do pré-sal brasileiro com foco na geração de riqueza, criação de empregos e desenvolvimento tecnológico. Ganha a indústria. Ganha o Brasil.

Sobre o autor: Ibsen Flores é diretor-presidente da Pré-Sal Petróleo (PPSA)

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