Artigo Exclusivo

Óleo e gás: uma indústria mais resiliente e preparada para 2022, por Anderson Dutra

Redação TN Petróleo/Assessoria
22/12/2021 09:03
Óleo e gás: uma indústria mais resiliente e preparada para 2022, por Anderson Dutra Imagem: Divulgação Visualizações: 3555

Passados quase dois anos do início da pandemia da covid-19 que gerou uma retração econômica mundial, a indústria de óleo e gás segue no rumo de retomada, com uma expectativa de um 2022 com perspectivas positivas e desafiadoras. Questões geopolíticas e regulatórias significativas que afetaram a produção mundial de petróleo em 2021 tendem a não se repetirem. Por outro lado, teremos um ano de eleição que, indiretamente, impacta a estratégia do setor, principalmente, por conta da preocupação do investidor sobre o plano de desinvestimento de ativos públicos e dos acordos envolvendo ativos da Petrobras. Acreditamos manter o patamar de um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

Outras questões já iniciadas, nos últimos anos, ganharão destaque no mercado. Uma delas será uma movimentação na direção da redução de emissões poluentes, com uma narrativa mais alinhada aos possíveis impactos sociais, principalmente, em relação aos empregos e aos impactos da indústria na arrecadação do governo por meio de royalties e participação especiais direcionadas à educação e à saúde.

Uma outra vertente que 2022 trará com mais ênfase é o debate mais forte sobre o gás como base para sustentação da matriz frente à transição energética. Muitos acordos foram feitos para viabilização do escoamento do gás do pré-sal. Isso reduzirá a demanda de importação e trará à tona a necessidade de termos o gás como uma fonte que oferecerá "segurança energética". Apesar de fóssil, é bem menos poluente que o petróleo e mitigará o risco de intermitência das fontes renováveis.

As tecnologias digitais estarão cada vez mais favoráveis ao aumento da eficiência operacional com uma maior automação dos processos e melhoria operacional. O uso de ferramentas com análise de dados, inteligência artificial, gêmeo digital ganhará força no mercado e tornará as empresas mais competitivas frente aos concorrentes.

O próximo ano também deve reservar espaço para novos modelos de negócio e estruturas mais colaborativas de contratos para os já existentes. Esse movimento deve aumentar a busca por consolidação de parcerias entre as organizações, principalmente, num modelo transversal que envolve empresas de vários setores. Um bom exemplo é o contrato recente de logística integrada offshore já em vigor desde abril de 2021. Além disso, há uma expectativa no impacto das recentes vendas das refinarias e, na consequente, transformação do setor de distribuição, favorecendo o aumento da competitividade e a redução do preço do combustível na bomba.

Vale ressaltar que, sendo 2022 um ano de eleições, há a expectativa da redução dos movimentos recentes de abertura de capital, movimento natural no Brasil, e de uma desacelerada no processo de desinvestimento da Petrobras, como já mencionado. Existe receio no mercado de o ativo desvalorizar com as campanhas dado que alguns candidatos já estão se posicionando contra a venda dos ativos e a favor do controle de preços. Trata-se de um movimento que, geralmente, acontece em períodos de eleição e que ficará mais evidente no setor de óleo e gás.

De um lado, a pandemia trouxe mudanças importantes que afetaram a continuidade de muitos negócios e vieram para ficar, provocando rupturas em cadeias e criando um contexto mais competitivo. Do outro, o Brasil tem um lugar de destaque no setor petroleiro mundial como o sétimo maior produtor de petróleo no mundo. Detentor de uma capacidade instalada de indústria robusta, com bons campos de petróleo, bom mix de matriz energética e elétrica e boa capacidade de refino. E vamos em frente porque a busca pelo diferencial competitivo continua e nosso planejamento de transição energética não pode parar.

Sobre o autor: Anderson Dutra é sócio-líder do setor de Energia e Recursos Naturais da KPMG.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Pré-Sal
Campo de Búzios bate recordes mensal e diário de exporta...
26/08/26
ROG.e
ROG.e 2026 reúne líderes globais para discutir o futuro ...
26/08/26
Gás Natural
Décio Oddone aponta concentração como entrave ao mercado...
26/08/26
Competição
Shell Eco-marathon Brasil: inspeção técnica define carro...
26/08/26
ROG.e
Sindicom promove Arena de Lubrificantes na ROG.e 2026
25/08/26
Pessoas
Felipe Arbelaez é nomeado head of country da bp no Brasil
25/08/26
Parceria tecnológica
Foresea inicia formação exclusiva de PCDs em tecnologia ...
25/08/26
Petrobras
Licitação para nova Unidade de Hidrotratamento (HDT) da ...
24/08/26
Pessoas
ABRATE elege novo Conselho Diretor e lança ABRATE 3.0 pa...
24/08/26
Prêmio ANP de Inovação Tecnológica
ANP publica edital do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica...
24/08/26
Postos e Conveniência
Ipiranga e Texaco inauguram primeiro posto Texaco no Rio...
24/08/26
Combustíveis
Vibra se torna a primeira distribuidora a oferecer gasol...
24/08/26
Tecnologia
Corvus Energy amplia suporte técnico ao crescente setor ...
24/08/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em alta e amplia ganhos no mercado...
24/08/26
Pessoas
Novo diretor do COPPEAD assume com desafio de ir além da...
21/08/26
Gás Natural
Firjan comemora adesão do Rio ao Pacto Nacional para o D...
21/08/26
Biodiesel
ANP fará consulta e audiência públicas sobre monitoramen...
21/08/26
Navalshore
BioRen apresenta tecnologia pioneira no combate às bioin...
21/08/26
Pré-Sal
Com 180 mil bpd, FPSO Alexandre de Gusmão atinge topo de...
21/08/26
Parceria
Petrobras e Marinha do Brasil assinam protocolo de inten...
21/08/26
Navalshore
Panorama Naval do Rio de Janeiro 2026, da Firjan, aponta...
20/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.