Artigo

O futuro da Petroquímica e de Fertilizantes começa no Rio, por Thiago Valejo

Redação TN Petróleo/Assessoria Firjan
05/12/2024 14:05
O futuro da Petroquímica e de Fertilizantes começa no Rio, por Thiago Valejo Imagem: Divulgação Firjan Visualizações: 2109

A posição do Brasil entre os dez maiores produtores de óleo e gás do mundo é amplamente conhecida, com perspectivas concretas de alcançar o top 5 em um futuro próximo. Os volumes cada vez maiores de exportação acompanham a curva de produção ascendente do país. Ao mesmo tempo, nossa dependência externa para itens derivados de óleo e gás e que são essenciais para a economia nacional – como fertilizantes para o agronegócio e produtos petroquímicos para a cadeia de plásticos - expõe uma contradição que desafia a lógica de mercado. 

É um cenário a ser revertido. As transformações energéticas em curso abrem caminho para novas fábricas de fertilizantes e uma maior produção petroquímica no Brasil. E o Rio de Janeiro é o ponto de partida para o futuro dessas indústrias. Isso se deve ao aumento da oferta de gás natural, impulsionado pela plena operação do Complexo de Energias Boaventura e pelo novo gasoduto que conectará o campo de Raia à Macaé, com volumes que em muito irão ampliar a oferta nacional. Além disso, o estado possui um grande potencial para a produção de hidrogênio e biometano. Todos esses energéticos podem ser usados como matéria-prima nessas indústrias.

A indústria petroquímica fluminense é a mais competitiva do país. O estado se consolidou como protagonista na balança comercial de polipropileno e ampliou sua relevância em polietileno, superando tradicionais polos industriais como São Paulo e Rio Grande do Sul. Ainda há amplo espaço tanto para ampliar a fabricação desses polímeros quanto para estimular a produção de outros, como poliestireno, PET e PVC. Cabe aqui ressaltar o efeito multiplicador em empregos perenes e na geração de rendas a partir dessas indústrias. Por outro lado, é preciso criar um ambiente de incentivos com foco em competitividade para o estado estar apto a suprir o mercado no próximo ciclo de aumento de demanda na cadeia produtiva. 
Para fertilizantes, o desafio é maior, com uma produção praticamente inexistente hoje, o que se traduz em uma promissora oportunidade. A decisão da Petrobras de retomar suas atividades no segmento com a reativação de plantas e projetos hibernados mostra um caminho para o melhor aproveitamento do gás natural como insumo para a produção de fertilizantes nitrogenados. 

De maneira complementar, o Poder Público tem concentrado esforços com a Nova Indústria Brasil (NIB), o Plano Nacional de Fertilizantes e toda a atuação do CONFERT, com destaque para sua carteira de projetos, que contempla uma planta para o município de Macaé capaz de responder por 10% da demanda nacional de fertilizantes. Também a fábrica de amônia verde no Porto do Açu, de iniciativa 100% privada e com parceria internacional, e que deverá utilizar hidrogênio de baixo carbono como insumo, se soma nesse esforço. 

O Rio de Janeiro irá sediar também o Centro de Excelência de Fertilizantes e Insumos para Nutrição de Plantas (CEFENP), com foco no desenvolvimento de inovação aplicada à realidade do país, atendendo às necessidades e especificidades regionais. O hub do CEFENP no Rio não só poderá escalonar tecnologias para a produção de fertilizantes, como também interagir com outros estados, que terão diferentes demandas, conforme suas vocações.

O diferencial competitivo do estado fluminense vai muito além dos projetos já anunciados e de toda competência energética e diversidade de fontes disponíveis para concretizar novos empreendimentos. Reconhecidamente um polo logístico, sua localização privilegiada e infraestruturas existentes evidenciam a capacidade de acessar o centro de consumo do país, ao mesmo tempo que tornam viáveis rotas de exportação para o mundo.

Não à toa, a Federação de Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) tem trabalhado no desenvolvimento dessas indústrias, dedicando competências internas e realizando parcerias estratégicas. Em seu estudo ‘Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro 2024’, são destacadas uma série de dados que permitem vislumbrar um horizonte de como será o futuro da economia local. Serão ao menos R$ 20 bilhões em investimentos, com potencial para criar 10 mil postos de trabalho durante as obras e mais de mil empregos perenes quando as plantas estiverem operacionais.

Para além de se incentivar e trabalhar na construção de novos negócios, em tempos que o mote é descarbonizar, resta lembrar que essas indústrias também atuam como fixadoras de carbono, ao dar uma finalidade distinta de gerar emissões e ainda poder fazer uso do carbono da atmosfera. O futuro do Rio de Janeiro está intrinsicamente conectado à capacidade de transformar seu vasto potencial energético em valor agregado, consolidando-se como referência sustentável na petroquímica e nos fertilizantes.

A boa notícia é que o Rio de Janeiro está em plena construção do seu futuro em uma rota que une tecnologia, energia e sustentabilidade.

Sobre o autor: Thiago Valejo é gerente de Projetos de petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan.


 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Firjan
Recorde no petróleo sustenta crescimento da indústria do...
13/02/26
E&P
Tecnologia brasileira redefine a produção em campos madu...
13/02/26
Bahia Oil & Gas Energy
Produção em campos terrestres de petróleo e gás deve cre...
12/02/26
Pré-Sal
Plataforma da Petrobras, P-79, chega ao campo de Búzios
12/02/26
Resultado
Com 2,99 milhões boed, produção de petróleo e gás da Pet...
12/02/26
PPSA
MME e MMA liberam setores estratégicos do pré-sal e viab...
12/02/26
Oferta Permanente
Manifestação conjunta abrangente e inédita agiliza inclu...
12/02/26
Biometano
Biometano em foco com debate sobre crédito, regulação e ...
12/02/26
Pessoas
Mario Ferreira é o novo gerente comercial da Wiz Corporate
11/02/26
Resultado
Portos brasileiros movimentam 1,4 bilhão de toneladas em...
10/02/26
Energia Elétrica
Lançamento de chamada do Lab Procel II reforça o Rio com...
10/02/26
Energia Elétrica
Prime Energy firma novo contrato com o Hotel Villa Rossa...
10/02/26
Energia Elétrica
ABGD apresenta à ANEEL estudo técnico sobre impactos da ...
09/02/26
Tecnologia e Inovação
Brasil estrutura marco normativo para gêmeos digitais e ...
07/02/26
PD&I
Firjan SENAI SESI traz primeira edição do "Finep pelo Br...
06/02/26
Bacia de Campos
Em janeiro, BRAVA Energia renova recorde de produção em ...
06/02/26
Pessoas
Mauricio Fernandes Teixeira é o novo vice-presidente exe...
06/02/26
Internacional
Petrobras fica com 42,5% de bloco exploratório offshore ...
06/02/26
Sergipe Oil & Gas 2026
Ampliação de espaço no Sergipe Oil & Gas vai garantir ma...
05/02/26
Resultado
Produção dos associados da ABPIP cresce 22,8% em 2025 e ...
05/02/26
Descomissionamento
ONIP apresenta ao Governo Federal propostas para transfo...
04/02/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.