Artigo

O conto do carro elétrico e suas baterias

Reuters e Deutsche Welle/Alemanha, 28/07/2017
28/07/2017 11:59
Visualizações: 527 (0) (0) (0) (0)

Que malvados esses fabricantes de automóveis! Desde que a acusação de formação de cartel foi feita contra o setor, até então modelo, a malícia corre solta na direção de Wolfsburg, Stuttgart e Munique. O que é compreensível, pois a credibilidade das montadoras já andava cambaleante desde o chamado dieselgate.

Elas próprias não dão um pio. Também isso é compreensível, pois as investigações das autoridades antitruste estão no início e o que vale, também neste caso, é a presunção da inocência. Além disso, uma palavra mal colocada pode custar milhões. É provável que, daqui a pouco, só advogados falarão.

Já os inimigos dos automóveis e, em especial, dos motores de combustão estão em festa. Eles veem o seu maior inimigo, esse odiado poluidor movido a combustíveis fósseis, perto do fim. Pois é.

Só que, no fundo, é a mesma história já vista no imbróglio da mudança da matriz energética alemã. Trata-se de um poço sem fundo bilionário. E tudo comandado pelo Estado, ou seja, subvencionado a altos custos. E, mesmo assim, fabricantes alemãs de células solares vão à falência, uma atrás da outra. Já as turbinas eólicas ninguém quer ter perto de casa, muito menos novas redes de distribuição de energia. A questão central é: de onde virá a energia quando todas as usinas nucleares estiverem desligadas na Alemanha?

Na substituição dos motores a combustão pelos elétricos, a história se repete. Aqui, a questão é: se o motor de combustão for proibido, em que carro vamos andar? No carro elétrico, é óbvio!, diz o senso comum, sem refletir. E é aí que a porca torce o rabo. Ninguém sabe dizer se isso vai um dia funcionar, pois o balanço ambiental do carro elétrico é terrível. Só depois de oito anos de condução, um Mercedes Classe E alcança o impacto ambiental de um Tesla.

Um motor de combustão que necessita de menos de seis litros de gasolina tem um impacto ambiental inferior a um bólido elétrico da Tesla. O motivo: as enormes baterias.

Milhões e milhões de carros significam também: milhões e milhões de baterias. E isso, por sua vez, significa que matérias-primas como lítio e sobretudo cobalto serão necessárias. E de onde vem o cobalto? Em grande maioria do Congo, um país arrasado pela guerra civil e a corrupção. Sobretudo crianças retiram esse minério da terra, e elas trabalham em condições desumanas. Só que, sem o sujo cobalto do Congo, não há os limpos carros elétricos na Europa.

E isso não é tudo. A fabricação das baterias libera venenos e partículas finas - e também toneladas de CO2. Quando chegam ao fim da vida útil, as baterias precisam ser recicladas. Do contrário são um dejeto perigoso.

Talvez o carro elétrico seja apenas uma tecnologia intermediária. E quem sabe a célula de combustível não acabe virando o propulsor do futuro. Talvez, talvez. Hoje, porém, ninguém pode saber se um dia será assim. Nenhum especialista em carros, nenhum chefe de pesquisa e desenvolvimento de montadora. Ninguém pode dar uma resposta honesta a essa pergunta.

Talvez seja necessário encarar a mudança energética no trânsito por um outro viés: mais bondes e ônibus elétricos nas cidades. Por que não eletrificar as autobahns e ligar caminhões e ônibus nas catenárias? Nenhuma novidade, pois tudo isso já existiu.

O problema: quando se vê a maneira diletante como a Alemanha gerencia sua mudança da matriz energética, acabam-se as esperanças de que mudança no trânsito dê certo. E muito menos se os malvados da máfia das montadoras continuarem dando as cartas.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
BRAVA anuncia novo modal para venda de gás na Bahia
28/08/25
Combustíveis
ANP participa da operação Carbono Oculto, para coibir ir...
28/08/25
IBP
Posicionamento - Operações representam passo fundamental...
28/08/25
Subsea
OneSubsea entrega primeira árvore de natal molhada de Bú...
28/08/25
Offshore
MODEC firma parceria para desenvolver tecnologia inédita...
28/08/25
Energia Elétrica
Bandeira vermelha eleva custo da energia, mas associados...
27/08/25
Rio Pipeline & Logistics 2025
IBP debate investimentos em infraestrutura e logística n...
27/08/25
ANP
Segunda etapa de audiência pública debate classificação ...
27/08/25
IBP
RELIVRE reafirma a competência federal referente à ativi...
27/08/25
Royalties
Valores referentes à produção de junho para contratos de...
27/08/25
ANP
Pesquisa, desenvolvimento e inovação: ANP atualiza Paine...
27/08/25
Seminário
PPSA abre inscrições para Seminário de Lançamento do Lei...
27/08/25
IBP
Carta Aberta em apoio à ANP na classificação de gasoduto...
27/08/25
Logística
Vast Infraestrutura inicia construção do parque de tanca...
26/08/25
Biodiesel
Rumo a uma navegação mais sustentável, Citrosuco inicia ...
26/08/25
ANP
Oferta Permanente de Concessão: resultado parcial do 5º ...
26/08/25
PD&I
Projeto Embrapii transforma algas de usinas hidrelétrica...
26/08/25
PPSA
Leilão de Áreas Não Contratadas será realizado em dezembro
26/08/25
IBP
Desafio iUP Innovation Connections inicia etapa de capac...
25/08/25
Transição Energética
Fórum Nordeste 2025 discute energias renováveis, sustent...
25/08/25
Margem Equatorial
10 perguntas e respostas sobre a Avaliação Pré-Operacion...
25/08/25
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.