Internacional

A Geopolítica do Petróleo e o Brasil, por Ronald Carreteiro

Redação TN Petróleo/Assessoria
13/04/2026 09:45
A Geopolítica do Petróleo e o Brasil, por Ronald Carreteiro Imagem: Divulgação Visualizações: 1598

A geopolítica do petróleo vem demonstrando pela alta volatilidade nos preços desta commodity, face aos conflitos no Oriente Médio e tensões entre Países Desenvolvidos, que impactam na elevação dos preços na faixa de US$ 90 a 110/barril. 

E o petróleo está sendo utilizado como instrumento de poder. Enquanto a OPEP+ tenta controlar a oferta, o Brasil está se consolidando como mais um grande produtor.

Principais Frentes da Geopolítica:
• Conflitos no Oriente Médio: especialmente o de Israel e Estados Unidos contra o Irã, geraram instabilidade no preço da commodity e no transporte, provocando a maior disrupção no fornecimento. No Brasil, por exemplo, os fretes marítimos já foram impactados em cerca de 65%, entre março e abril, na exportação de containers para o Mediterrâneo, e mais de 80% para o Golfo do Mexico.
• O "uso" do Petróleo: O produto para ser movimentado, vem se utilizando de novas rotas, que impactam e influenciam na volatilidade do mercado.
• OPEP+: Países produtores buscam aumentar o preço do barril do petróleo, pela redução da oferta, e de outro lado consumidores buscando uma maior estabilidade nos preços.
• Posição do Brasil: O país está com produção recorde em 2025 (crescimento de 12,3% segundo a ANP), e vem se destacando-se na produção do Pré-Sal.
• Tensão EUA x China: A rivalidade entre estas duas maiores potências consumidores de petróleo e gás natural, monitora de perto a demanda global, e influenciam o preço do petróleo.

Destaque para o Brasil
O Brasil atua como um "player" estratégico devido às suas reservas, potencial de produção de petróleo e gás natural, e potencial de exportação, sendo observado como um destino de investimentos na América Latina 

O volume de reservas de petróleo no Brasil alcançou 17,488 bilhões de barris em 2025, o que representa expansão de 3,84% em relação ao ano anterior.

Esse volume indica que, se o Brasil não descobrisse mais petróleo e mantivesse o atual ritmo de produção, teríamos reservas suficientes para quase 13 anos.

Estas informações estão no Boletim Anual de Recursos e Reservas, divulgadas no dia10.04, pela ANP-Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, que regula o setor.

Então no Brasil, em 2025, para cada 100 barris de petróleo, foram provados 147 barris em reservas. Do total de reservas provadas no país, 82% estão no pré-sal, situada a mais de 7 mil metros de profundidade, abaixo de uma espessa camada de sal, que se estende de Santa Catarina ao Espírito Santo.

Como 13 anos é muito pouco no horizonte da atividade de Exploração e Produção, passa a ser mandatório para o Brasil, que as novas fronteiras exploratórias tenham seus resultados o mais urgente possíveis.

A principal nova fronteira exploratória de petróleo no Brasil é a Margem Equatorial, localizada entre o Amapá e o Rio Grande do Norte., com potencial para bilhões de barris, similar às descobertas na Guiana. 

Outras fronteiras estão nas Novas Descobertas no Pré-Sal: o pré-sal continua sendo uma área fantástica, e agora com o anúncio de petróleo em Marlim Sul, na Bacia de Campos, em 2025/26. A perfuração ocorre com monitoramento ambiental, após o processo de licenciamento junto ao IBAMA, focando em segurança operacional e estudos de impacto.

Outra fronteira encontra-se na Bacia de Pelotas: área foi considerada uma nova fronteira, focada na expansão das reservas da Petrobras.

Em paralelo ao atendimento destas novas fronteiras, temos o desafio das energias renováveis. Portanto, vamos aumentar o esforço em exploração e produção de novas fronteiras, pois o petróleo que será utilizado em 2050 ainda precisa ser descoberto. E de outro lado, vamos usar a experiência brasileira para desenvolver bioprodutos e buscar novas fronteiras de energias renováveis.

Resumindo: em função da geopolítica atual do petróleo e gás natural, a exploração dessas novas fronteiras é vista como essencial para garantir a segurança energética do Brasil, e financiar a transição energética no período 2030/2050.

Sobre o autor: Ronald Carreteiro é coordenador de MBA da UCP/IPETEC, diretor adjunto da SOBENA, Vice Presidente do Conselho Cientifico e Estratégico do Cluster Naval, Coordenador do GT Cedemar sobre Descomissionamento da SEENEMAR RJ- Secretaria de Estado em Energia e Economia do Mar, ex-presidente do Estaleiro Estanave, ex-presidente da CNA-Companhia de Navegação da Amazonia, ex-diretor de Gás Natural e Alternativos Energéticos da Petrobras Distribuidora e CEO da Rona Assessoria.
 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
Biometano
Necta destaca avanço do biometano em São Paulo durante a...
19/10/26
Fiscalização
ANP e Senacon fiscalizam mercado de combustíveis para co...
16/10/26
Energia Nuclear
Relatório global aponta que apoio à energia nuclear supe...
16/10/26
Pessoas
Presidente da ABiogás integra a lista "As 100 Mulheres P...
16/10/26
Resultado
Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e r...
16/10/26
Bacia de Santos
Bacalhau completa primeiro ano de produção nos 25 anos d...
15/10/26
Firjan
Fim da escala 6x1: Firjan fará propostas que garantam se...
15/10/26
Bacia de Santos
Acordos de equalizações referentes às Jazidas Compartilh...
15/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25