Artigo

A economia azul e a necessidade de inclusão global nas decisões oceânicas, por Luize Guimarães

Redação TN Petróleo/Assessoria
17/12/2024 06:59
A economia azul e a necessidade de inclusão global nas decisões oceânicas, por Luize Guimarães Imagem: Divulgação Visualizações: 2284

O conceito de economia azul, que visa o desenvolvimento sustentável dos recursos oceânicos, ganhou visibilidade a partir da Conferência das Nações Unidas realizada no Rio de Janeiro em 2012. Até então, estava quase esquecido no cenário dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). De forma súbita, passou a ocupar posição de destaque no desenvolvimento internacional, atraindo atenção e, principalmente, recursos financeiros, que são cada vez mais necessários para promover ações concretas.

A MUVA, organização onde atuamos, foca em países do Sul Global e no fortalecimento econômico de populações marginalizadas, principalmente no Brasil e em Moçambique, que juntos representam o décimo quinto litoral mundial. Apoiamos, sem reservas, a crescente relevância dada à economia azul. Afinal, oceanos e mares garantem a subsistência e a segurança alimentar de cerca de três bilhões de pessoas no mundo – mais de um terço da população global – cujas vidas dependem diretamente da sustentabilidade desses recursos marinhos.

A Conferência das Nações Unidas para os Oceanos, que será realizada em julho na França, promete fortalecer essa discussão. No entanto, enquanto celebramos a visibilidade dada ao tema, questionamos como os organizadores pretendem abordar a representatividade das diversas vozes nas discussões, desafios e recomendações que surgirem. A análise do relatório de recomendações preparatório revela um desequilíbrio: cerca de 80% das organizações representadas são oriundas da Europa e das Américas. Embora muitas destas nações tenham vastas extensões de litoral, os países desenvolvidos, com maior poder econômico, não são os que mais dependem dos recursos oceânicos para subsistência.

Vale lembrar que o próprio termo “economia azul” surgiu da necessidade dos pequenos estados insulares em desenvolvimento (SIDS) de diferenciar suas realidades das abordagens convencionais da “economia verde”. Na Conferência do Rio, esses países defenderam que, para eles, a sustentabilidade estava no mar – não na terra. Essas comunidades, altamente vulneráveis às mudanças ambientais e econômicas devem ser ouvidas.. Na atual preparação da conferência, suas vozes representaram apenas 3% no relatório, enquanto os países africanos somaram cerca de 5%.
Para que a economia azul prospere verdadeiramente, é essencial que ela não seja guiada apenas pelas potências econômicas. Precisamos de uma abordagem inclusiva que envolva os países em desenvolvimento e as comunidades costeiras que dependem da pesca, da biodiversidade marinha e da saúde dos ecossistemas.

A inclusão de vozes diversas é um passo não só moral, mas estratégico. O futuro dos nossos oceanos depende de uma visão integrada e colaborativa, onde todos – das pequenas nações costeiras aos grandes polos econômicos – assumam a sua responsabilidade. Cabe aos organizadores do próximo UNOC garantir essa diversidade, promovendo a participação ativa de todos os setores da sociedade e assegurando que as prioridades do encontro reflitam, de fato, as necessidades e realidades globais.

Sobre a autora: Luize Guimarães é cofundadora da MUVA e responsável pelas operações em Moçambique.
 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Gás Natural
Décio Oddone aponta concentração como entrave ao mercado...
26/08/26
Competição
Shell Eco-marathon Brasil: inspeção técnica define carro...
26/08/26
ROG.e
Sindicom promove Arena de Lubrificantes na ROG.e 2026
25/08/26
Pessoas
Felipe Arbelaez é nomeado head of country da bp no Brasil
25/08/26
Parceria tecnológica
Foresea inicia formação exclusiva de PCDs em tecnologia ...
25/08/26
Petrobras
Licitação para nova Unidade de Hidrotratamento (HDT) da ...
24/08/26
Pessoas
ABRATE elege novo Conselho Diretor e lança ABRATE 3.0 pa...
24/08/26
Prêmio ANP de Inovação Tecnológica
ANP publica edital do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica...
24/08/26
Postos e Conveniência
Ipiranga e Texaco inauguram primeiro posto Texaco no Rio...
24/08/26
Combustíveis
Vibra se torna a primeira distribuidora a oferecer gasol...
24/08/26
Tecnologia
Corvus Energy amplia suporte técnico ao crescente setor ...
24/08/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em alta e amplia ganhos no mercado...
24/08/26
Pessoas
Novo diretor do COPPEAD assume com desafio de ir além da...
21/08/26
Gás Natural
Firjan comemora adesão do Rio ao Pacto Nacional para o D...
21/08/26
Biodiesel
ANP fará consulta e audiência públicas sobre monitoramen...
21/08/26
Navalshore
BioRen apresenta tecnologia pioneira no combate às bioin...
21/08/26
Pré-Sal
Com 180 mil bpd, FPSO Alexandre de Gusmão atinge topo de...
21/08/26
Parceria
Petrobras e Marinha do Brasil assinam protocolo de inten...
21/08/26
Navalshore
Panorama Naval do Rio de Janeiro 2026, da Firjan, aponta...
20/08/26
Eficiência Energética
Shell Eco-marathon Brasil celebra dez anos com avanços e...
20/08/26
Combustíveis
Preços dos Combustíveis mantêm trajetória de queda em ag...
20/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.